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Tadeu Vilani

Foto: Tadeu Vilani

A arte inspira vida:

“CREDE UT INTELLIGAS”

CREIA E ENTENDA  PELA  LENTE DE TADEU VILANI.

A arte funerária é tão antiga quanto a história do homem, mas só a partir da Idade Moderna, com a ascensão da burguesia, que os monumentos funerais passaram a ser edificados em maior número e entraram no rol da produção artística da humanidade.  Podemos citar alguns artistas que projetaram e executaram importantes obras funerais, como Michelangelo Buonarroti (1475-1564), escultor, arquiteto e pintor. Porém, o estudo da arte tumular e sua divulgação é recente. Foi no século XIX, especialmente na França e na Itália que os túmulos com suas esculturas foram vistas como obras de valor estético. Artistas famosos como  Augusto Rodin (1840-1917), na França e Antônio Canova (1757-1822), na Itália formaram uma clientela de seguidores de suas obras. Muitas foram usadas como modelos pelos marmoristas que se  dedicavam à ornamentação dos túmulos. No Brasil, já no século XX, importava-se modelos de túmulos da França e da Itália. Rodolfo Bernardelli (1852-1931) e mais tarde Vitor Brecheret (1894-1955),  escultores brasileiros deixaram importantes obras nos cemitérios de São Paulo e Rio de Janeiro, mas a grande produção ficava a cargo das marmorarias dos imigrantes alemães, italianos e portugueses que usando a iconografia erudita deixaram nesses espaços belíssimas  imagens.

Essas imagens vista sob a óptica  do fotógrafo artista, Tadeu Vilani, missioneiro de Santo Ângelo, nos faz refletir sobre a questão do olhar estético que a sensibilidade do artista nos conduz através de sua lente, interpretando repertórios solidificados da época, como símbolos cristãos: anjos, santos, pietás, Cristos, alegorias da ressurreição, alegorias da saudade,  etc. É o olhar do artista que nos faz viajar por esse mundo da arte cemiterial,  tão pouco lembrada e ao mesmo tempo tão bela, basta nos atermos às imagens  de cemitéros de vários países da Europa e da  América Latina colhidas por Tadeu em suas viagens de estudos. O silêncio, a paz, além do valor como arte impregna nossa mente ao travarmos a comunicação, obra-espectador nesta coleção de fotos chamada “crede ut intelligas,” exposta agora, no Museu Municipal Dr. Olavo José Machado, em Santo Ângelo.

Claudete Boff

Profª. História da Arte/URI

Santo Ângelo, 17/10/2008.

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